sexta-feira, janeiro 27, 2006

Je Reviens

por Dóris Fleury

Regina Célia Gonçalves, 22 anos, estudante de Pedagogia, grandes olhos castanhos. Gostava das matinês do cinema do bairro, de botas de cano alto e do galã de novelas Francisco Cuoco. Signo de Libra. Virgem. Linda. Muito calma, um pouco tímida. Noiva de Carlos Augusto, estudante de Engenharia. Moradora de um sobradinho cor-de-rosa no Cambuci. Sumiu em 10 de novembro de 1970 - até com Alzheimer a mãe ainda lembrava a data exata. A polícia fez extensas buscas, as manchetes de jornal insistiam: "Continua desaparecida estudante do Cambuci", estampando a foto da moça bonita. Um investigador de polícia confiou em segredo à irmã: tinha informações sobre Regina Célia, de fato estava morta, só não fora possível achar o cadáver. Teria sido queimado, ou enterrado num matagal qualquer. A irmã, sussurrando, perguntou: "Mas o senhor acha que ela foi...?" O investigador pigarreou e baixou os olhos.

A família nunca se recuperou da tragédia.

Três décadas se passam, os pais de Regina Célia morrem, o Cambuci se deteriora. Um dia alguém bate à porta do sobradinho. A irmã - a mesma que conversou com o investigador - vai atender.

É Regina Célia. Intacta, rosto liso, como se nem um dia tivesse se passado. Faixa nos cabelos, sombra nos olhos, livros debaixo do braço como se voltasse da faculdade. Cumprimenta a irmã, como sempre, aos beijinhos. A cinqüentona entontecida sente que vai desmaiar, reconhece o perfume da falecida: Je Reviens.

Regina Célia suporta sem piscar a algazarra da família, o irmão que vem correndo de Alphaville, as vizinhas mais velhas que ainda se lembram dela. Responde vagamente as perguntas, não se lembra onde esteve, não sabe porque sumiu. Calma como sempre, recebe a notícia da morte dos pais. Mal lança um olhar aos sobrinhos, a menina de piercing no nariz, o garoto magrinho de boné. Nos próximos dias fica plantada na sala, ouvindo as infindáveis explicações da irmã, que chora sem parar, fala dos pais, mostra o computador, fala do seu divórcio. Sem que Regina Célia pergunte, a irmã conta tudo sobre Carlos Augusto: o desespero inicial, a recuperação, o namoro com uma moça de Maceió, o casamento, o emprego na fábrica do sogro, quatro filhos, o problema de coronárias, careca, barrigudo, infarto ao chegar em casa, Cemitério da Consolação. Fala do bairro, ah, piorou muito, veja nossa casa como está. Toda pichada. Regina Célia pergunta: não dá pra pintar de cor-de-rosa? Não adianta, eles picham de novo. E essas crianças então, Regininha, são um problema, o pai paga uma porcaria de pensão, estou desempregada, você nem imagina...

A desaparecida ouve com polido interesse. Quando a torrente faz uma pausa, indaga: e o Francisco Cuoco, ainda aparece na televisão? Desolada, a irmã balança a cabeça, nem isso, Regininha.

No dia seguinte, quando a divorciada se levanta, Regina Célia não está mais lá. Sumiu pela segunda vez. Ela chora um pouquinho, depois se conforma. De vez em quando, ao passar por um dos cômodos da casa, sente numa brisa sutil o perfume da irmã.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Necrópole na Rádio Cultura

Livro de terror nas ondas sonoras! "Necrópole - histórias de vampiros" foi comentado no programa "Leia Livro" - uma comunidade de leitores no rádio e na internet, co-realização da Secretaria de Estado da Cultura - do dia 23 de janeiro.

O programa, que é exibido ao meio-dia e às 24:00, de segunda a sexta, é desenvolvido pela mesma equipe do site homônimo, que já publicou uma excelente resenha sobre "Necrópole", devidamente noticiada aqui no NecroZine por esta entidade que vos fala. As melhores resenhas do site são repetidas no rádio e "Necrópole" estava entre elas.

Aqui, o link para o programa "Leia Livro":

http://www.leialivro.com.br/texto.php?uid=7597

Para ouvir a matéria em MP3, clique aqui.

Abraços sombrios.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Necrópole na revista Hype

Mortais,

Mais uma vez, Necrópole - histórias de vampiros se destaca. A revista Hype, publicação de cultura e comportamento que circula nos estados do Espírito Santo, São Paulo e Rio de Janeiro, traz em sua vigésima edição a matéria Entrevista com Vampiros. Numa bem-humorada e exclusiva entrevista, os Necroautores Alexandre, Camila, Gian, Giorgio e Richard falam de terror e literatura. São três páginas com direito a fotos dos autores e até um trecho do primeiro conto do livro, "Rogai por nós", de Richard Diegues. Aqueles que ainda não leram o livro ficarão ainda mais curiosos.

Aqui, a primeira página da matéria:

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Para ler na íntegra, acessem o site da Hype: www.hypeoline.com.br e encontrarão a matéria na sessão "Encontros".

Os Necroautores agradecem à editora Betty Feliz pelo destaque e pelo excelente trabalho.

terça-feira, janeiro 17, 2006

Entrevista com Alexandre Heredia

Mortais,

O NecroAutor Alexandre Heredia concedeu uma entrevista ao também escritor Eric Novello (autor dos livros "Dante - O Guardião da Morte" e "Histórias da Noite Carioca"), onde discorre sobre literatura, criação literária, mercado e cultura pop em geral.

O endereço da entrevista na íntegra é:

http://www.ericnovello.com.br/entrevistas_heredia.php

Passem lá e conheçam um pouco mais deste nosso caro amigo e companheiro de jornada.

Caronte
caronte@necrozine.zzn.com

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Necrópole volume 2 vem aí

Sim, mortais. O esperado segundo volume da coleção Necrópole está em vias de chegar às livrarias de todo o país.

Depois das histórias de vampiros, os Necroautores trazem a vocês histórias de fantasmas!

O título, a ser lançado na 19ª Bienal do Livro de São Paulo em março de 2006, tem sete histórias, pois recebeu o reforço de dois convidados muito especiais: Marcelo Dias Amado, conhecido por seu trabalho no site Estronho e Esquésito, o maior portal de fatos, contos e lendas bizarras, e Dóris Fleury, autora dos livros Troquei meu destino por qualquer acaso e Mulheres pintadas e do site A Escrevinhadora.

Neste volume, o sobrenatural serve de pano de fundo para uma apresentação de metáforas de nossos maiores medos e anseios. Violência, religiosidade, questões sociais, criminalidade e lendas urbanas se fundem em narrativas densas, apresentadas em formatos variados e com extrema criatividade literária.

The Mauzoleum, o conhecido site de eventos, artigos e novidades para os aficionados em vampiros e seres noturnos, acaba de publicar o mais novo release sobre a coleção. O texto traz comentários sobre cada conto do livro.

Passem por lá e vão preparando seus dedos e olhos para saborear mais este volume da coleção Necrópole!